Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.
7 de ago. de 2008
29 de jul. de 2008
Berlin à Primeira Vista
Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei...
Quando chegou carta, abri
Quando ouvi prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...
Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...
25 de jul. de 2008
21 de jul. de 2008
Tudo Vira Bosta
O ovo frito, o caviar e o cozido
A buchada e o cabrito
O cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
O prometido e o não cumprido
E o programa do partido
Tudo vira bosta
O vinho branco, a cachaça
O chopp escuro
O herói e o dedo duro
O grafite lá no muro
Seu cartão e o seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro
Meu passado e meu futuro
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Filé mignon, champignon, Dom Perignon
Salsichão, arroz, feijão
Mulçumano e cristão
A Mercedes e o Fuscão
A patroa do patrão
Meu salário e meu tesão
Tudo vira bosta
O pão-de-ló, brevidade da vovó
O fondue e o mocotó
Pavarotti e Xororó
Minha éguinha pocotó
Ninguém vai escapar do pó
Sua boca e seu loló
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
A rabada, o tutú, o frango assado
O jiló e o quiabo
Prostituta e deputado
A virtude e o pecado
Esse governo e o passado
Vai você que eu tô cansado
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Uma das minhas Magas Mestras (como diria uma amiga)
Rita Lee
A buchada e o cabrito
O cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
O prometido e o não cumprido
E o programa do partido
Tudo vira bosta
O vinho branco, a cachaça
O chopp escuro
O herói e o dedo duro
O grafite lá no muro
Seu cartão e o seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro
Meu passado e meu futuro
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Filé mignon, champignon, Dom Perignon
Salsichão, arroz, feijão
Mulçumano e cristão
A Mercedes e o Fuscão
A patroa do patrão
Meu salário e meu tesão
Tudo vira bosta
O pão-de-ló, brevidade da vovó
O fondue e o mocotó
Pavarotti e Xororó
Minha éguinha pocotó
Ninguém vai escapar do pó
Sua boca e seu loló
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
A rabada, o tutú, o frango assado
O jiló e o quiabo
Prostituta e deputado
A virtude e o pecado
Esse governo e o passado
Vai você que eu tô cansado
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Tudo vira bosta
Uma das minhas Magas Mestras (como diria uma amiga)
Rita Lee
24 de mai. de 2008
Alma em crescimento
Minha alma está se transformando. Uma brisa leve e paciente passa pelos meus morros movimentando delicadamente, como num ballet, graos, que vao formando novas dunas, deixando outros graos, outrora tao enterrados e esquecidos, a vista. Lentamente percebo uma nova paisagem, o horizonte se alongando e o espaco a minha volta tornando-se de uma vastidao tamanha, que percebo a pequenes da vida. Minha alma encardida banha-se, delicia-se com o novo frescor. Sinto-a como um vapor quente e, a um suspiro profundo, faco-a inflar. Ainda tenho pés de chumbo, rodelas negras pousadas sob as pálpebras e a palidez de um corpo assustado. Ainda ando rápido como um perceguido, tremo na solidao da noite e tenho os olhos acuados, medrosos no passeio pelo todo. O meu eu gélido ainda me mancha de colera, abafando o ainda frágil eu do amor. Mas esses vícios e medos do corpo, ainda tao redundantes em mim, estao, mesmo que na folga da eternidade, se desmanchando. A cada rolar de grao saboreio um novo alívio. Meus ombros, queixo, costas, busto e pés já nao sofrem tanto com a pressao. Sou eu, meu amor, tornando-me grande para voce.
22 de mai. de 2008
Espetáculo
"Tres pancadas no palco. Um rufo de timbales comecou, os instrumentos de cobre explodiram em acordes, e o pano, erguendo-se, descobriu uma paisagem"
Em homenagem ao meu artísta, hoje ja tao acostumado aos palcos.
Trecho de Madame Bovary de Gustave Flaubert
Em homenagem ao meu artísta, hoje ja tao acostumado aos palcos.
Trecho de Madame Bovary de Gustave Flaubert
6 de mai. de 2008
Fase flutuante
Estou flutuando dentro de mim. As vezes bate uma insegurança de sentir os pés longe do chão, mas na maior parte do tempo me sinto nadando em nuvens. Daqui, de cima de mim, tudo lá nos fundos fica pequenininho e como tenho medo de alturas, há horas em que as minhas pernas e mãos tremem e me coração corre. Mas ai vem o meu eu amor, pega na minha mão e me pede pra esperar dizendo: quando o vento é forte, o melhor e parar e esperar. Principalmente quando se está flutuando. Assim não saio voando, pelo contrário, aproveito a brisa que, com muito esforço, torna-se leve, refrescando meu rosto. Tenho passado por cima de mim delicadamente, flutando. Daqui de cima meus pulmões se abrem e respiro como se estivesse em meio a eucaliptos. Talvez tenha me confundido. Talvez essa seja a verdadeira insustentável leveza de ser. Eu, que antes não era, estou descorbindo um mundo no mundo e descobrindo esse mundo dentro de mim. Não quero ter medo de vida e muito menos levá-la como alguém que espera a morte. Quero goles dela que refrescam, quero banquetes dela que estufam, quero me lambuzar toda, quero nascer faminta e morrer satisfeita todos os dias. Mas quero tudo isso sem afobação... Estou flutando dentro mim, sou feita de nuvens. Mas sou filha do vento...
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