15 de fev. de 2009

Was machst du in Berlin?


Piktors Verwandlungen (transformacao, mutacao) von Hermann Hesse


E olhava com um sorriso ironico e cansado à amiga ao lado que tantas vezes me viu sem saber como dar essa resposta. Nao que nao soubesse. Sabia. Mas nao exatamente. E havia o medo de que as palavras mentissem por mim. Já faz um ano que faco, que sou tanto e o tempo todo. É fevereiro. É domingo. Neva lá fora. Ou serao sapos? E a resposta nasce de um amigo alemao. "Só me interessam os passos que tive de dar na vida para chegar a mim mesmo. A verdadeira profissao do homem é encontrar seu caminho para si mesmo". Hermann Hesse

12 de fev. de 2009

Espantos Lentos


Eu sou o que nao morre nunca. Eu renasco. Espantos lentos. Há muito mundo. Há muita vida. Falta-me ar. Há algo no peito. Há peito. Em todos os seus sentidos. Há eu como nao havia antes. Há um caminho que nao tem pressa, mas nao perde tempo. Tempo. Dono das gavetas que guardam os segredos do mundo. Solo fértil. Andei chovendo. Estou brotando. E as raizes se agarram no que há de profundo do eu. O melhor lugar é ser feliz. O melhor lugar sou eu. E eu anda. E eu quer voar. Existir é mágica sem fundo falso. Nao há truques. Há milagres. E o maior deles está em navegar pelo infinito. O corpo é a fronteira entre duas imensidoes. A vida um doce mistério.

23 de jan. de 2009

Individualizacao


Jung trilhou a individuação, pois havia a necessidade imperiosa nele de ir ao inferno e voltar para poder mostrar o caminho da volta àqueles que ficaram perdidos pelo caminho da vida. Tornou-se ele uma resposta sincera e corajosa ao nosso tempo. "Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der".

21 de jan. de 2009

Anjos em minha vida


Ve, li essa materia no blog da rachel nunes e fiquei pensando...
Pensando no quanto a natureza tem a nos ensinar e o quanto temos nos tornado ignorantes ao despercebe-la.
Foi isso que de certa forma me ensinou hermann hesse, a buscar na natureza aulas de vida. Em como ela pode ser uma fonte de inspiracao ao mesmo tempo que nos ensina com tanta poesia como a vida é bela e crua.
Como nesses programas de televisao sobre os animais e sistemas. Toda a beleza, as cores, e musica natural num ritimado silenciso, que as vezes pode ser tao alto que assusta. Nao consigo assistir um predador cacanco sua presa.
E por que? sera que na minha vida arredomada de vidro nao aprendi o essencial? Sera mesmo que nasci privilegiada, ou todo esse perigo que me é negado acaba me faltando no final? O Netuno tem razao. O ato nao está, por exemplo, em ser vegetariano. Nao estamos sendo coerentes assim. O que deveriamos era matar tudo que comemos, para assim saber que para vivermos, uma outra vida se doa. Assim nasce o respeito. E talvez ao ouvir os gritos de desespero de um animal no abatedouro, pensaremos
muitas vezes mais antes de jogar comida fora.

A teoria demasiada vem me traindo. Nunca fui academica. Tudo que realmente sei aprendi na pratica. No entanto tenho confabulado tantas ideias e quase nao as colocando em pratica. Montar uma estrategia de guerra é uma coisa, estar no campo de batalha é outra bem mais complicada. E quando estamos nele, vemos que tudo ao que realmente nos prendemos, na hora real fica pequeno. Os detalhes sao os que realmente nos ensinam e é neles que pescamos o respeito. Ser garconete tem me dado, assim como todo resto em minha vida, muito mais que a expetiencia em restaurante. Mas principalmente, me trouxe novas questaoes de vida. E como tudo isso é mais importante, mais belo, né ve?

O Netuno uma vez me falou que quando ia trabalhar no museu pedia para que cada visitante viesse com seu anjo. Assim nao seria um encontro entre homens, mas sim uma reuniao celestial. Quando estou com voce me sinto assim. Como se estivessemos entre anjos. Obrigada por me proporcianor momentos tao intensos de alma. Nunca imaginei que pudesse ser assim.

Ate amanha
Bjinhos
Fe

O título - a natureza é só uma parte da equação - está na página 95 de O filho eterno, romance muito premiado do brasileiro Cristovão Tezza. O livro é sobre isso: narrar as minúcias muitas, as perplexidades humanas, suas dúvidas, fraquezas. Pesar as partes da equação, reconhecer o dado do natural e quedar-se algo derrotado sob um fato incontornável: um filho eternamente filho, com Síndrome de Down, retardado, mongolóide, desprezível (por que não morre? tantas vezes pergunta o pai), mas filho, que não aprende e de alguma forma ensina, provoca ações e reações que Tezza tenta penetrar em profundidade, sob as regras da ficção, em um problema que lhe é presente: de fato, o escritor é pai de um filho com Síndrome de Down. Comecei sublinhando trechos e mais trechos; por fim desisti, pois teria que, praticamente, sublinhar o livro inteiro. Não é, ao contrário do que possam pensar alguns, "literatura edificante", de autoajuda. Para Tezza, o dia amanhecerá, independentemente das forças - a favor ou contra. Então ele destrói, reconstrói, destrói de novo o mundo à sua volta, mas este lhe volta intacto, destruindo e reconstruindo o autor, em um moto perpétuo entre o acaso e a estupidez, que o autor vê em si e refletida no filho. Se revolta, vão e sonhador; resulta disso uma fileira de obras e este último romance, nascido da idéia melancólica, brutal, cruel, de um mundo representado pelas idéias que o alimentam. Cada página, é, assim, um romance inteiro, recender à vida nas palavras que nos queimam. Ao final, as conciliações possíveis, e o encontro improvável, no futebol, da compreensão de um enredo comum a ele e ao filho: "Bandeira rubro-negra devidamente desfraldada na janela, guerreiros de brincadeira, vão enfim para a frente da televisão - o jogo começa mais uma vez. Nenhum dos dois tem a mínima idéia de como vai acabar, e isso é muito bom".

20 de jan. de 2009

Palavras do meu super homem

Cara Filha,

Ao ler um artigo em blog de ciência colhi a seguinte frase em alemão "Glück des Tüchtigen" o que significa, pelo menos pela tradução do blogueiro, " a sorte dos esforçados", dando, pela ética da cultura alemã do trabalho, o contrassenso, porém indicando, que só existe sorte para quem se esforça.

Pois bem, posso dizer que esta frase cabe a vc, tanto pelo que vc ja fez, e principalmente pelo que vc vem fazendo a longo dos últimos meses. Tenha muita sorte.

Um grande bj e saudades. pai

16 de dez. de 2008

Mae Zune


Mae é uma só, mas as vezes a gente tem a sorte de ser adotada por mulheres fortes e cheias de amor que cruzam o nosso caminho. Com a Vezune nao foi diferente. Por ser assim, grande por fora e por dentro, ter um coracao infinito como o das maes e essa coisa bonita de gostar de cuidar das outros, abriu suas asas e acolheu todo o nosso galinheiro. Foi ela, com esse jeitinho ou mesmo tempo bravo e carinhoso, que fez da gente uma familia. As primeiras festinhas de fim de ano e os famosos chás da 5 comecaram na sua casa. Um jeitinho que ela encontrou de reunir a ninhada. Cheia de corujices, nunca perdeu uma apresentacao de teatro, coral ou PGE de suas filhas. Cuida de porres a coracoes depedacados. Da bronca, noticias e avisa quando alguem faz aniversario. E quando estava para ser vovó só faltou tricotar meias. Foi ela quem recebeu a noticia da chegada da Julinha ao mundo e ligou para todas nós, cheia de emocao, para dar a boa nova. Emocao que só as maes sentem.


Essa semana minha mae Zune ficou mais velha e se chateou porque sua filha desgarrada nao ligou. Mas ela sabe da filha que tem: enroscada, cheia de se naos, inadimplente. Mas que mesmo de longe, mesmo ausente, nao deixa nunca de pensar nela. Mae a gente nao esquece e ela sabe disso. E eu fico tranquila. Prometo que vou mudar. Sei que todo esse amor, de ambos os lados, é incondicional. Coisa de família mesmo. Porque mae pode nao ser uma só, mas todas sao para sempre. E com ela nao seria diferente.

10 de dez. de 2008

Manual de Sobrevivencia em Berlin

Cada dia que passa me impreciono mais com as diferencas culturais entre Tupiniquins e Germanicos. E adoro isso, acho interessante. Como diz Ignácio de Loyola Brandao, os alemaes sao um povo curioso de se observar. Assim como sei que somos para eles também. Mas tem coisas que é preciso aprender rápido por aqui pra nao tomar bronca - que eles dao mesmo.

Supermecado
- Antes de sair as compras faca um alongamento. A atividade é praticamente uma maratona. Demorou um pouqinho pra colocar as coisas na sacola e pagar? Se prepare pra o bombardeio de olhos tortos, tanto de clientes como de funionários.
- Jamais jogue fora suas garrafas vazias. Em quase todos os supermercados existem maquinas de trocas de ambalagens (vidro = €0,08; lata = €0,10 e plástico = € 0,15). Ainda me assusto com essa tecnologia. Voce coloca a garrafa num buraco, ela corre por um esteira, a maquina le o codigo de barra e engole. Tudo vai sendo computado e enquanto vc acompanha o saldo numa mini tela de computador. Acabado o servico, voce aperta o botao verde e recebe um estrato para trocar por dinheiro depois. Dependendo da bebedeira, dá pra fazer a compra da semana com o dinehrio do lixo. Meu recorde foi € 9,60.

Festas na Casa de Amigos
- Seja pontual. 15 minutos é o MAXIMO que os alemaes aceitam como atraso. Brasileiros desavisados (que chegam com 1h, 1h 30 de atraso) correm o rsico de chegar no final da festa.
- Leve sempre o que for beber. Aqui ninguem banca o porre alheio.
- Capriche nas meias. Ao chegar no ap. os sapatos ficam na porta.

Roupa
- Cuidado para nao virar carnaval. Hoje entendo de onde vem essa noia sobria na moda alema. Nao passar frio exige um minimo de 7 pecas e combinar tudo isso com cores e estampas fica um pouco complicado.
- Nao é só o frio que pega em Berlin. A chuva está presente em pelo menos 4 dias da semana, principalmente no inverno. Por isso, adote o casaco impermeavel, mesmo que isso signifique o fim da tentativa de manter um minimo charme.

Pelas Ruas
- O perigo de Berlin nao está no transito, muito menos na violencia, mas nas bicicletas. Basta voce estar no caminho delas (as faixas vermelhas da calcada) para elas se tornarem impiedosas, violentas e com serias tendencias assassinas. Nao há um desavisado que nao tenha pela menos uma histária de buzinas histéricas, xingamentos mal educados e até atropelamentos.
- Evite olhar nos olhos de desconhecidos. Isso, como muitas, mas muitas outras coisas na Alemanha, é considerado invasao de privacidade. Para evitar descuidos (eu sempre me pega sem querer olhando pra galera no metro) tenha sempre um livro em mao. E foco!

Se lembrar de mais coisas, posto!