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20 de mar. de 2010

A arte ensinando a vida - Um exercicio de ser


"Um corpo destreinado é como um instrumento musical desafinado, em cuja caixa de ressonancia há uma barulheira confusa e dissonante de ruídos inúteis, impedindo a aidicao da verdadeira melodia. Quando o instrumento do ator, seu corpo, é afinado pelos exercícios, desaparecem as tensoes e os hábitos desnecessários. Ele fica pronto para abrir-se às ilimitadas possibilidades do vazio. Mas há um preco a pagar: diante desse vazio desconhecido surge, naturalmente, o medo. Até mesmo um ator de larga experiencia, sempre que vai retomar seu trabalho, quando se ve na borda do tapete sente esse medo voltar - medo do vazio dentro de si mesmo e do vazio no espaco. Imediatamente, ele trata de preencher o vazio para livrar-se do medo, tentando achar alguma coisa para dizer ou fazer. Sentar-se imóvel ou ficar quieto requer muita coragem. A maioria de nossa manifestacoes exageradas ou desnecessárias provem do pavor de nao estarmos realmente presentes se nao avisarmos o tempo todo, de qualquer jeito, que de fato existimos. Isso já é um grande problema no dia-a-dia, em que pessoas nervosas e descontroladas podem nos infernizar a vida; mas no teatro, onde todas as energias devem convergir para o mesmo fim, a capacidade de reconhecer que se pode estar totalmente "presente", embora aparentemente sem fazer nada, é fundamental. É importante que todos os atores reconhecam e identifiquem tais obstáculos, que nesse caso sao naturais e legítimos. Se perguntarmos a um ator japones sobre seu modo de atuar, ele admitirá que já enfrentou essa barreira. Quando atua bem, nao é porque elaborou previamente uma composicao mental, mas sim porque criou um vaio livre de panico dentro de si"